O poeta Quintana nunca foi abandonado


POR HENRIQUE MANN *


Prezados amigos, gostaria de esclarecer algo importante sobre o que corre na internet a respeito do meu querido parceiro e Mestre Mario Quintana.

Está sendo divulgado um texto que diz que o Mario foi despejado do Hotel Majestic e teve suas malas colocadas na calçada; que o "porteiro" teria dado-lhe um casaco e dito-lhe "toma velho" e que o jogador de futebol (Falcão, pessoa por quem tenho a maior admiração, respeito e gratidão) teria passado naquele exato momento e recolhido-o como a um mendigo.

Isto NÃO É VERDADE ! Com todo o respeito e admiração que tenho por Paulo Roberto Falcão (um dos maiores jogadores da história do Brasil e da Itália...e do mundo), pessoa boníssima e de grande caráter, generoso como só os grandes como ele podem ser, a "estória" descrita por um autor que desconheço, não corresponde à verdade.


Realmente, Falcão acolheu de forma graciosa e vitalícia, o Poeta em seu Hotel Royal, mas não foi deste modo humilhante descrito. Suponho que o autor, de boa fé e intenção, tenha "romantizado" por "licença poética" a verdade dos fatos.


Mas, devido à importância vital para a história do Brasil e do Mundo, que envolve o mais proeminente Poeta do RS e também um dos maiores atletas futebolistas e até mesmo Treinador da Seleção Brasileira, cabem esclarecimentos: quando o Hotel Majestic faliu e foi fechado, Mario foi morar no Hotel Presidente (isso foi por volta de 1982) e ficou em situação precária, até porque este hotel também estava em fase falimentar. Isto tudo ganhou grande difusão nos meios de comunicação. Mario ainda passou por outros hotéis, como o " Residence", onde sempre obteve carinhosa acolhida.

Ele nunca foi "abandonado" com "malas na calçada" e jamais um porteiro do Majestic (hoje Casa de Cultura Mario Quintana) diria a ele "toma velho" algum casaco.


Ele foi apoiado e cuidado por pessoas maravilhosas como a sua sobrinha-neta Elena, teve apoio da Sandra Ritzel, da Dulce Helfer, das empresas Samrig e Ipiranga, mas, fundamentalmente, de um homem de extremo valor chamado Enio Lindenbaum, à época à testa do antigo Banco Maisonave.


Foi através deles, Elena e Enio, que conheci o Mario e tive a maior graça musical de minha vida, por tornar-me seu parceiro no disco "Quintanares & Cantares", lançado em 1986 pela Riocel, com produção da Ribalta (de Paulo Satt).


Falcão, o majestoso craque do futebol mundial, foi SIM, uma das pessoas mais importantes nisso tudo. Mas não é verdade que tenha encontrado o Poeta "com as malas na calçada".


Até porque, como sabemos, a recepção do Hotel Majestic fica na atual "Travessa dos Cataventos", só entram lá carros que sejam destinados ao hotel… jamais Falcão poderia ter passado acidentalmente ou por acaso ali e defrontado-se com esta cena. Também o Mario nunca seria abandonado pelos gaúchos da forma como foi descrita.


Eu tornei-me seu parceiro musical em 1985. Em 1986 lançamos o projeto do LP no Museu de Artes do RS e em 1987 o disco pronto, com a maior formação instrumental do RS, o Grupo Raiz de Pedra e uma seleção das maiores cantoras da época. Foi o disco independente mais vendido da história do RS, se somadas as versões em LP e CD.