Sputnik V afirma que vai processar Anvisa ‘por espalhar informações falsas’

A equipe responsável pelo imunizante russo afirmou que as questões técnicas colocadas pela Anvisa na reunião que vetou sua importação não têm embasamento científico

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São Paulo – A fabricante da vacina Sputnik V anunciou, em seu perfil oficial no Twitter, na manhã de hoje (29), que vai ajuizar uma ação na Justiça contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Após a admissão do regulador brasileiro (…) de que não testou a vacina Sputnik V, a Sputnik V está iniciando um processo judicial de difamação no Brasil contra a Anvisa por espalhar informações falsas e imprecisas intencionalmente”, diz a postagem. Na segunda-feira (26), a agência brasileira decidiu vetar a importação do imunizante russo sob a alegação de falta de dados e de risco de efeitos colaterais por falhas na fabricação.

A desenvolvedora do imunizante russo afirmou que as questões técnicas colocadas pela Anvisa na reunião do dia 26 não têm embasamento científico e “não podem ser tratadas com seriedade na comunidade científica e entre os reguladores internacionais”. Na terça (27), a Sputnik V acusou a agência brasileira de mentir, afirmou que a decisão “é de natureza política e nada tem a ver com o acesso do regulador à informação ou ciência”. Segundo os russos, ao contrário do que diz a Anvisa, foi dado aos agentes pleno acesso a todos os documentos relevantes, aos locais de pesquisa e produção em Moscou e a documentos e dados científicos pertinentes.


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The Lancet: eficácia de 91,6%

Primeiro imunizante contra a covid-19 registrado no mundo, em agosto de 2020, a Sputnik V, desenvolvida pelo Centro Gamaleya, tem eficácia comprovada de 91,6%, segundo estudos clínicos publicados em fevereiro pela prestigiosa revista científica britânica The Lancet. Na terça, o gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes, disse, na comissão externa da Câmara que acompanha o combate à pandemia, que a recusa para a importação da vacina não “inviabiliza” seu uso no País, já que a análise pode ser refeita com novos dados. Alegou que havia presença de adenovírus replicante (vírus com capacidade natural de replicação) na vacina, o que não pode ser aceito. A Sputnik nega.


A fabricante também publicou no Twitter que Mendes teria reconhecido que a agência não recebeu amostras da vacina para teste e que, “então, precisa ficar claro, não fizemos teste para adenovírus replicado”. Porém, o perfil da Sputnik não informa a fonte desta declaração. Hoje, senadores da CPI da Covid aprovaram a convocação do presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, para depor na comissão. Em março do ano passado, Barra Torres, sem máscara, participou de manifestações na companhia do presidente Jair Bolsonaro.

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